Análise: O impacto das ‘Feirinhas’ na economia americanense

Estudo da assessora econômica do Sincomercio, Caroline Miranda Brandão, retrata como preocupante a instalação das chamadas feiras itinerantes, conhecidas como ‘Feira do Brás’

feira da madrugada

Americana apresenta uma importância econômica, tanto da região da base administrativa do Sincomercio (Sindicato dos Lojistas e do Comércio Varejista de Americana, Nova Odessa e Santa Bárbara d’Oeste), quanto na RMC (Região Metropolitana de Campinas). O PIB de Americana apresentou participação de cerca de 7% sobre o total da RMC, segundo os dados do IBGE, divulgadas para o ano de 2014 (último ano do IBGE). Enquanto isso, as outras cidades da região apresentaram participação de cerca de 3,5% (Santa Bárbara D’Oeste) e 1,5% (Nova Odessa), correspondendo, juntas a um total de cerca de 12% do total do PIB da RMC.

Para o mesmo ano de 2014, Americana apresentou uma maior participação de Serviços, no qual está incluso o comércio, com mais de 60% de todo o valor adicionado na economia. Em detrimento da indústria que participou com cerca de 30%, o governo com cerca de 10% e a agricultura, praticamente 0%. Isso demonstra a importância de serviços, e os setores nele contido, o qual está o comércio.

Na quantidade de estabelecimentos comerciais, Americana apresenta 2.712 estabelecimentos, no comércio, sendo a cidade com mais estabelecimentos no varejo, somente atrás de Campinas, dentre as cidades da RMC. Isso representa 9,7% do total de empresas da RMC, sendo que Campinas apresenta 45% do total da RMC.

A cidade de Americana apresentou para o ano de 2015, segundo a RAIS (último ano divulgado) um total de 15.793 empregados, no comércio, seja no atacado ou varejo. Isso representa 20,6% do total de empregados no município. Estes são os vínculos ativos, até 31 de dezembro de 2015. É a cidade que mais emprega pessoas, no comércio, depois de Campinas (94.798), na RMC.

Dentro da região administrativa do Sincomercio, a cidade exprime a maior participação de empregados no comércio, sendo responsável por 56% do total das 3 cidades o que demonstra a importância do comércio. Quando considerada na RMC, a nossa região também tem grande importância, pois apresenta um total de 14,4% do total de empregos no comércio, sendo que a única cidade que apresenta expressiva importância do comércio é Campinas, com 48% dos empregados. Neste contexto Americana ainda apresenta maior destaque, sendo responsável por 8% dos 14,4% da nossa região. Isso faz de Americana, a cidade com maior importância do comércio, depois de Campinas. Todas as outras 14 cidades apresentam uma participação dos empregos, no comércio inferior à de Americana.

Com relação ao número de estabelecimentos, a maior parte é do comércio varejista (2.352), sendo 87% do total do comércio. Já o atacado apresenta 360 empresas, ou seja, 13% do total do comércio. Na região da base do Sincomercio, o comércio varejista de Americana representa 57% do total de estabelecimentos e 9,5%, na RMC.

Ao observar as categorias do comércio, em Americana, o varejo representa 85% (13.413) do total de empregos, e o atacado representa 15% (2.380). O varejo também é muito representativo, tanto na nossa região quanto na RMC. Na região administrativa do Sincomercio, Americana representa 55,6% do total de empregos da região. Também na RMC, Americana tem desempenho relevante, sendo, mais uma vez, a cidade que mais emprega pessoas, no varejo, atrás somente de Campinas. A cidade representa 8,3% do total de empregos, no varejo, na RMC.

Nos segmentos específicos do varejo, lojas de vestuário, tecido e calçados apresentam a maior quantidade de estabelecimentos (19,3%), seguidos de outras atividades[1] (19,1%), Supermercados (15,3%), Materiais de Construção (11,6%), Lojas de eletrodomésticos e eletrônicos (10,5%), Autopeças e acessórios (8,9%), Farmácias e perfumarias (8,1%), Lojas de móveis e decoração (3,8%) e Concessionárias de veículos (3,5%).

Das atividades do varejo, a mais importante, na geração de empregos, é a de Supermercados, com 37,1% do total de empregos gerados, seguido de Lojas de vestuário, tecido e calçados (18,1%), outras atividades (13,8%), Materiais de construção (9,8%), Farmácias e perfumarias (7,2%), Lojas de eletrodomésticos e eletrônicos (6,5%), Autopeças e acessórios (4,5%), Lojas de móveis e decoração (1,7%) e Concessionárias de veículos (1,4%).

Dessa forma, além de o varejo ser muito importante para a cidade, ele é muito afetado pelas feirinhas, que atuam, principalmente nos segmentos de vestuário, tecido e calçados, farmácias e perfumarias, lojas de eletrodomésticos e eletrônicos, lojas de decoração e alguns segmentos em outras atividades. Isso corresponde a um total de 47,3%, para o emprego e 60,8% do total de estabelecimentos, no varejo. Embora as chamadas “feirinhas” pareçam atividades isoladas, o seu sucesso pode levar a uma proliferação cada vez maior, afetando, pouco a pouco, um número maior de lojistas, que são muito importantes para a atividade econômica da cidade e da região.

carol mini

Caroline Miranda Brandão é doutoranda em Economia pela Universidade Estadual de Campinas e assessora econômica do Sincomercio

 

 

[1] Combustíveis para veículos automotores; lubrificantes; livros, jornais, revistas e papelaria; artigos recreativos e esportivos; joias e relógios; gás liquefeito de petróleo (GLP); artigos usados e produtos novos não especificados.

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